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Rio Olympic legacy: a cause for concern

The 2016 Olympics should have been the perfect opportunity to herald a sea change in Rio’s urban strategy, but they have ended up driving expansion

[Scroll down to read the text in the original Brazilian Portuguese]

What is the purpose of Rio de Janeiro? Before the announcement of its successful Olympic bid on 2 October, 2009, this existential question had dominated urban discourse in the city since 1960, when the federal capital was transferred to Brasília, the so-called city of hope. Rio fell into despair over the subsequent exodus, as uncontrolled growth, inner-city violence and unplanned sprawl took over, and businesses moved to São Paulo and elsewhere. The proud ‘Marvellous City’ epithet remained as a mantra, referring to the city’s magnificent natural landscape, but in truth, Rio had become a decadent tourist resort.

All this changed when Rio was chosen to host the 2016 Olympic Games. Overnight, the city had a raison d’etre again, with a map for development centred on four areas, Barra da Tijuca, Deodoro, Maracanã and Copacabana. Prefect Eduardo Paes, with his Faustian impetus, made the most of this moment, and began to lead the Olympic project, forming partnerships principally with the national political authorities and major contractors. Rio was transformed into a construction site at an almost Chinese pace. However, the arrangements of the bid, with projects scattered around the metropolis, appears contradictory in its approach to legacy.

Arguably the biggest urban project carried out in Brazil this century is the demolition of the Perimetral, an elevated expressway between the city centre and Guanabara Bay. The removal of the Perimetral was supposed to revitalise the centre, whose historic urban fabric was overridden by the road in the middle of the twentieth century. With the demolition of the perimetral and the extensive new masterplan for the port area, various empty plots of land have become available within the existing city for new construction. Once the embodiment of old-fashioned highway planning, the removal of the expressway should represent a newfound focus on pedestrians and the creation of a compact, walkable city.

Olympic-sized problems: will the Games projects, which are scattered around Rio, really deliver the hoped-for revitalisation of the city?

But while the expressway is being demolished on one side of the city, on the other side new avenues and expressways are being built, as well as a bus rapid-transit system (BRT). Unlike London’s 2012 bid, which used the Queen Elizabeth Olympic Park to revitalise the city’s East End, the Rio Olympic Park is not aimed at regenerating a run-down urban area. To the contrary, the Park is located at the edge of the urban fabric in Barra da Tijuca, where local property speculation already has momentum and is building new residential and business towers. The Rio Olympic Park is actually a driver of metropolitan expansion.

As the Olympic Park and the Olympic Village are miles away from the demolished Perimetral, Rio’s liveable city strategy is questionable, especially if we add the cost of new infrastructure. Even before the Olympic Games, the new BRT public transport system which consists of bus-only lanes is already saturated. The ambition for the city centre is right for fewer cars on roads, public transport with new trams, metros, boats in Guanabara Bay, and quality public spaces. But Barra da Tijuca will reproduce the traffic and congestion elsewhere.

The Rio Olympic Park is inclined to end up like the Athens Olympic Park, abandoned through lack of use and maintenance due to its limited connection with the rest of the city and as an esplanade with no further visitor interest. I would not be surprised if it were transformed into a private garden of a residential condominium. For the apartments of the Olympic Village, which are already being sold under the commercial name of Ilha Pura (Pure Island), I do not see a positive future.

In short, the Rio urban plan for the Olympic Games is constituted by opposing ideas: on demolishing the perimetral, the aim is to compact the city; but the layout of the principal Olympic centres spreads the city. If we have a contradictory urban plan, we will have a contradictory future. After the closing ceremony, Rio will wake up with a hangover, and no idea of where to go from there. The legacy of the Olympics will be the creation of two very different city plans of Rio de Janeiro. In which Rio do you want to live?

Qual é o sentido da existência da cidade do Rio de Janeiro? Esta pergunta era o subtexto (repleto de preocupação) de suas análises urbanas na segunda metade do século XX. De certa maneira, o Rio perdeu sua razão de ser em 1960 quando a capital federal foi transferida para Brasília, a dita cidade da esperança. Ao Rio, sobrou uma desesperança crescente nas décadas seguintes: a violência urbana, empresas e empreendedores transferindo-se para São Paulo e outras cidades da América Latina, o crescimento desordenado, construções irregulares para todos os lados, espaços urbanos e uma arquitetura local cada vez mais medíocres. Restara o epiteto ufanista “Cidade Maravilhosa”, cantado como um mantra para a manutenção do orgulho carioca de ser uma cidade implantada em um território naturalmente esplendoroso. Mas fato é que o Rio tornara-se um balneário turístico decadente, com perspectivas diminutas, até o dia 2 de outubro de 2009. Do dia para a noite, a cidade volta a ter sentido: Rio Cidade Olímpica. 

Quando foi selecionado como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o mapa dos polos de concentração de eventos reduzia-se a um esquema com quatro grandes círculos – Barra da Tijuca, Deodoro, Maracanã e Copacabana. As transformações urbanas que viriam a ser feitas, isto é, o que ocorreria dentro e entre os quatro círculos era um mistério até então.

Neste período, passa a se destacar a figura do prefeito Eduardo Paes e seu ímpeto fáustico. Aproveitando o momento em que os olhos do mundo se voltaram para o Brasil com simpatia, Paes se pôs a liderar as mudanças que a cidade necessitava passar por meio de parcerias principalmente com as instancias políticas nacionais e grandes construtoras. O Rio transforma-se em um gigantesco canteiro de obras em velocidade quase chinesa. Entretanto, a miríade de projetos espalhados pela metrópole é, acima de tudo, contraditória.

Demolir a Perimetral e construir o Parque Olímpico

Comecemos pelos indícios aparentemente positivos que nos são dados. O maior projeto urbano feito no Brasil no presente século é, curiosamente, uma demolição. A demolição da Perimetral, uma via expressa elevada entre o centro da cidade e a Baía de Guanabara. A Perimetral era o símbolo de um urbanismo rodoviarista que o Brasil adotou em meados do século XX: o tecido urbano histórico sobrepujado por uma via com a finalidade de dar rapidez ao transporte individual. Quando esta via expressa foi ao chão, simbolicamente indicava-se uma reapropriação do solo urbano pelo pedestre, em prol de um paradigma de cidade mais voltado à fruição pelos seus habitantes. Seria este o símbolo da retomada de uma qualidade de espaços públicos que remete à praia de Copacabana e ao Aterro do Flamengo? Seria um indicio de retomada de um bom projeto de cidade?

Voltemos nosso foco para o Parque Olímpico e para a Vila Olímpica. Eles estão sendo implantados a quilômetros de distância de onde a Perimetral está sendo demolida, isto é, do centro que se busca revitalizar. Diferente do caso do Parque Olímpico Rainha Elizabeth no lado leste de Londres, a posição escolhida para o parque olímpico não objetiva a requalificação de uma área urbana degradada. No caso carioca, sua implantação está nos limites do tecido urbano: esta área da Barra da Tijuca é o trecho em que a especulação imobiliária local edifica suas novas torres residenciais e de negócios. O Parque Olímpico do Rio é um propulsor de expansão da metrópole.

Esta estratégia é questionável se somarmos a necessidade e os custos com a construção de novas avenidas, via expressa – se de um lado da cidade elas estão sendo demolidas, no outro lado estão sendo feitas novas – e criando um sistema de transporte público de BRT (bus rapid transit), isto é, vias exclusivas para o deslocamento de ônibus – cabe divulgar que antes mesmo do inicio das Olímpiadas, este sistema de BRT já está saturado em seu uso. Também é falso qualquer argumento ligado a uma falta de espaço para as Olimpíadas no interior da cidade existente, visto que com a demolição da perimetral e o masterplan da área portuária, diversos terrenos vazios tornaram-se disponíveis para novas construções.

Em síntese, o plano urbano do Rio para as Olimpíadas é constituído por ideias antagônicas: ao demolir a perimetral, deseja-se densificar a cidade; mas a implantação das principais sedes olímpicas spreads (espalhando) a cidade.

Futuro contraditório

Se nós temos um plano urbano contraditório, teremos um futuro contraditório.

As intenções são boas para o centro da cidade: ruas com menos carros e mais pessoas, transporte público com novos bondes, metrôs, barcas na Baía de Guanabara, e espaços públicos com qualidade. A demolição da via expressa foi um grande e simbólico primeiro passo, mas ainda há diversos passos a seguir. Do outro lado, a Barra da Tijuca reproduzirá o tráfego e o congestionamento que caracterizam as problemáticas cidades brasileiras atuais. O Parque Olímpico carioca tende a se tornar como o Parque Olímpico de Atenas: se continuar sendo um espaço público, ele ficará abandonado por falta de uso e manutenção, devido a sua difícil conexão com o resto da metrópole e porque será uma esplanada sem maior interesse de visita. Porém, não me surpreenderei se ele transformar-se em um jardim privativo de um futuro condomínio fechado de habitações. Faço esta dedução pois já estão sendo vendidos os apartamentos da Vila Olímpica, cujo nome comercial é Ilha Pura. Para um conjunto de edifícios habitacionais que parte do principio de não se misturar com a cidade ao redor – a ilha pura –, eu não consigo ver um futuro positivo.

Após a cerimônia de encerramento das Olimpíadas de 2016, é provável que estejamos com uma ressaca sem saber qual será o sentido da existência da cidade do Rio de Janeiro a partir de então. Mas esta não será a principal pergunta. O legado do evento será dois projetos de Rio de Janeiro urbanamente muito distintos. Em qual Rio você quer morar? 

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